Um pouco da História de Maresias
"Seu Juventino" tem 95 anos e Dona "Cantídia" 85. Nasceram em Maresias e é o que conhecem do planeta, além do Centro e de Santos. Contam que na época em que o progresso ainda não havia chegado por estas bandas, a estrada era um "carreto" (caminho, trilha) e custava um dia de caminhada a visita ao Centro. Viviam do plantio e da pesca. O prato principal era peixe fresco ou salgado ao sol, farinha batata, banana e outros. Para o café da manhã: caramimoso, caraguaçu (especie de cará/raíz), tapioca e paçoca de banana verdulenga (meio verde). A viagem ao Mercado de Santos para comercializar o plantio por alguns mirréis, custava 5 horas em canoa com vela e 01 dia em canoa sem vela. Chamavam canoa de voga e quem não conseguia um espaço na canoa, caminhava até Guaratuba, de pés descalços pois sapato era luxo de última. Dormiam em Guaratuba e ao amanhecer seguiam para Bertioga e lá pegavam o "bumbão" para Santos. Dona Cantídia e Seu Juventino que apreciam o progresso e acreditam também que com ele veio muita coisa ruim, contam que Maresias, na época de seus antepassados era conhecida como Parnamiúma e que, devido ao mar forte, mudaram o nome para Maresias. Ao serem questionados sobre pessoas marcantes que passaram por suas vidas, Seu Juventino falou com orgulho e entusiasmo de José Bonifácio (Capitão de Corveta da Marinha) que apareceu há muito por estas bandas, criou a Colônia de Pesca Z27 e por aqui morou algum tempo. Já Dona Cantídia citou Alexandre Birmoser como a "melhor pessoa do mundo". Conta que ele apareceu em Maresias ainda jovem, e; em época que Maresias era terra de ninguém, onde grileiros se apossavam deliberadamente das terras, ele "endireitou a papelada" junto aos proprietários e advogados, legalizou, comprou e pagou, "tudo direitinho". Diz que trabalhou para ele durante 8 anos e sente saudades das lindas azaléias que havia em seu jardim e guarda com carinho os presentes que ganhou dos Birmoser. Conta que na época da juventude, não havia eletricidade e era necessário tochas para iluminar o caminho à noite. Quando apareceu a luz de gerador, eram dados 3 sinais para aviso de apagar. Então as lamparinas entravam em ação. Dona Cantídia nasceu na Barra e Seu Juventino na Av. Francisco Loup e lá mora até hoje com sua Cantidia, esposa e prima. Reformaram juntos a casa, produzindo os tijolos e comercializando o excedente para pagar a mão de obra. Dona Cantídia afirma que seus bebês, nascidos sob os cuidados de Deus e pelas mãos das "curiosas", à partir dos 15 dias já eram alimentados com banana assada. Costumavam dormir às 19:30 e acordavam 4:30hs. As roupas, segundo ela eram confeccionadas com pano de saco, e lavadas no rio. Contam também que nesta época haviam infinitas espécies de pássaros como: macuco, jacutinga, Seripoca e Jacu, entre outros, porém, a caça desenfreada extinguiu a maioria que hoje, lamentavelmente, não existe mais. Disseram que nesta, época os caçadores não poupavam nem os "mono" (macaco), que também caçavam e comiam. Lembram que a primeira professora que apareceu em Maresias em 1916, há 86 anos atrás chamava-se Maria do Carmo ou Dona. Marica. Falaram com carinho de João Romão César que medicava a comunidade através da homeopatia e em sua casa também funcionava a escola. Disseram que este homem lutou muito pelo bem da comunidade e talvez se deva a isto o fato de Maresias ter hoje uma rua com seu nome, uma travessa da Rua do Forno.
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